quinta-feira, 17 de maio de 2012

II Mutirão Artístico Maringaense



Maringá, cidade bela e moderna, mas não foge de sua sina interiorana, relegada pelas autoridades no que toca a arte e cultura como forma de expressão, talvez até os próprios cidadãos não deem importância para uma arte verdadeira e descompromissada com o entretenimento da massa. 
Alheios a isso, um grupo de artistas de várias áreas resolveram se juntar e formar um mutirão para expor o trabalho que é produzido aqui, bem debaixo de nossas árvores, gestado talvez dentro de um carro em nosso transito caótico. Um evento totalmente independente sem interesses financeiros. 




Não podemos dizer que temos uma Virada Cultural, festivais internacionais, sequer bons museus. Porém, podemos aproveitar as raras e gratas (e gratuitas) oportunidades de consumir um pouco de arte e quem sabe ser consumido por ela...

Clique aqui para ver a programação completa do evento.

Nos vemos por lá!

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Se eu pudesse, eu seria um poeta


Eu seria um poeta
se eu pudesse compreender
a mente dos Rosas, Cruzes e dos Campos
se eu conhecesse a Pessoa
Qu’escreveu a Mensagem por trás da mensagem

Eu seria um poeta
se eu pudesse possuir a Clarice de um dia de sol
se eu pudesse engolir os Azevedos de uma noite onírica,
conhecer o Bandeira de cada país
Eu também seria um poeta (não importa de qual tamanho)

Se eu encontrasse a Bela Flor Espancada
Lhe diria que a amo e seria um poeta.
se eu pudesse escrever a decomposição dos Anjos,
se eu pudesse apartar Caminhas e Camões
talvez, e só talvez eu seria um poeta.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Escreva escravo!


Minha mente é tão doente
de doces males padecen-
Teos ouros, meus tão aúreos
decende deus do verbo
ascende no complacente
amanhã de minha mente
de mentira, indecente

Minha mente é tão doente
culpa decente do peso
do dom do ver Betel
sinto subindo súbita
pois aquele que crê sente
com a luz matinal nascente
sou escravo escrevente

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Projeto Tereza

O poema abaixo postado: Maringá! Maringá! foi postado primeiramente no site  http://projetotereza.com/

Recomendo a todos que visitem o site regularmente, pois tem sido um ótimo veículo de informação e fomentação cultural e artística, com diversas publicações interessantes, nas mais variadas áreas. Sem dúvida, configura-se uma ótima iniciativa na cidade canção, tão carente de gente que valorize a verdadeira arte.



Maringá! Maringá!

I

Não há de ser em vão
o esforço febril deste artesão
do metro vir canção
p'ra poder cantar sua inspiração

Planejo, como tu fostes um dia
sem pretensão, de pompas fugidia
nascida em discreta alegria
planejo cantar sua harmonia

Entre raças, planície da paz
É Maringá! E como tu não Há!
Mestra precoce do país serás.

Discreta parnasiana concreta
sob a sombra segura de suas árvores
cresço feliz, criado em seus parques

 II

Ainda que longe do céu e dos céus
obstinada vence Maringá!
vemos por ela o porvir sem véus
brilha a estrela que norteia o Paraná!

E toda a gente, que segue esse brilho
segue contente, e grita o estribilho:
É Maringá! E como tu não há!
É Maringá! E como tu não há! 

Ah! E a gente que é este povo
É tão formosa e de bela forma,
filha do Sol e do centro mundo, novo

rosto nascido que agrada à gosto
gente maringaense, Cidade Maringá
permita-me cantar: que como tu não há!

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Epílogo




Eu sei, sei que você já não quer mais, sei que você não ama mais, nem tão pouco nutre qualquer sentimento que seja bom por e para mim. Sei também que preferias não ler isto, preferias não saber, preferias não... Quantas negações em tão curto tempo, neste espaço branco. O branco em que autores escrevem suas obras e nós escrevemos nossa história. O branco que por vezes representou a paz, ou o branco que nos traz o esquecimento. O esquecimento que por vezes é tão maligno, mas que ainda assim tem sua recomendação médica. Um médico que cura a dor, daquilo que é a maior ocorrência da vida humana e o humano que se difere do animal, por sentir esta dor. O sentir não compreende nada. E nada é o que tenho agora. E por acaso já não tenho agora.  Pois meu tempo se passou com você.
E o computador segue assim, tentando tirar algum proveito disso, seguindo seu papel de narr-a-dor,  aliment-a-dor, registr-a-dor e quiçá! Salv-a-dor!!
A hora é de pranto, de espanto, de esperanto, e de pranto. Eu não tenho agora, mas tenho ainda esta hora, a ser vivida, por mais sofrível (que ainda é nossa). É o pouco que resta de nós dois. Me apegarei a ela, como se fosse aquele pedaço de mim que faz tanta falta (aquele que está contigo).  Me apagarei, até que deste eu não haja mais traços. Realizando assim seu último desejo. Pois só assim... Só assim poderás ter a certeza de nunca mais me ver diante de ti. 
Não tenho pena de mim mesmo por você ter pena de mim. Não há nada do quê se envergonhar em amar, lutar, lutar, lutar, lutar, lutar, lutar, e não chegar.  Uma tragédia não respeita nem mesmo um céu de baunilha. Não há por que esconder o rosto marcado de cicatrizes. Cada marca, uma batalha. Cada batalha uma paixão e a cada paixão um morrer. Pois a paixão é entrega, e a entrega rendição,  e a rendição é a morte.
Este é um adeus.
À Deus que está nas alturas se roga, que ampare os caídos em batalha. À Deus eu rogo...
- Me segure em seus braços não me solte nunca mais eu te amo

sexta-feira, 25 de novembro de 2011


Descrição da dor pela personagem Damien Campos criada por Damien Campos.



A dor me dilacera. De dentro para fora. Tanto, que posso até, ao me olhar no espelho, ver suas garras negras, saltando da pele e reluzindo com a luz. Como uma mãe sente e vê seu filho a chutar sua barriga, eu vejo o monstro horroroso, desenhando formas enquanto arranha as minhas carnes. Não o ouço, nem tão pouco sei por que está aqui, sei apenas que quer sair, de uma forma desesperada. E me odeia, com toda a força de seu ser, pois nasceu apenas para isso, odiar-me.
Dizem que Deus existe, pois bem, se existe, apenas ele vê a dor que encarcero. Em meus momentos íntimos ou nas situações sociais, a sinto, e Deus vê,  nas minhas orações, ou em minhas canções, Deus vê o monstro cruel aparecendo de mim. Deus vê, e não faz nada.
Se ele não existe, bem, então estou sozinho com minha dor, na completa solidão, sem contar com qualquer cumplicidade ou compaixão.

Se ele não existe, não sei também porque eu existo, ou porque a dor existe, ou porque você existe. Acostumei-me a pensar a causa de tudo como Deus. Boa ou má, tudo proviria dele e tudo teria um porquê.  Será que penso direito, com tamanha dor dentro de mim? Ou mesmo ela remoendo minhas entranhas, não interfere na faculdade intelectual.
Não sei, de fato, não sei. Só sei que sinto, meu saber é sentir, e sinto a dor, acabando comigo. E não posso gritar. Não há quem me socorra.
Antes mil vezes uma enfermidade física, plausível, com diagnóstico médico. Assim, ninguém me censuraria em gritar desmedidamente e furiosamente, pois qual coitado, todos veriam e entenderiam o mal de que padeço.
Mas não, por fora nenhum defeito. Deus me fez perfeito.
Portanto, silêncio, do monstro e de sua vítima.
Nem uma palavra. Vamos conviver belicamente, odiando-se mutuamente, mas sem nunca expressar palavra. Eu e a dor. Até a morte.