sexta-feira, 12 de abril de 2013

Há! Saudade.



Tristeza e Saudade andam juntas? 
E Felicidade e Saudade andam juntas?

Não. A Saudade anda sozinha,
e por isso mesmo é saudade.



segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Aurora




  • Não tenho mais sangue correndo em minhas veias.
    Sinto a substância pastosa bege venenosa
    In nudando todos meus poros.
    Meu corpo agora é cor.
    Os orgãos falidos, inúteis se foram
    em silêncio, quietos conformados rejeitados.
    batidas secas lentas de seus passos abandonando.
    Meu corpo agora é som.
    Sou som e posso intuir sem pressentirressentir sempre.
    Não sou metade. Sou inteiro. Partícula gigantesca indivisível.
    O Amor pulveriza.
    Meu corpo agora é luz.

    terça-feira, 15 de janeiro de 2013

    Poesia Visual



    Passo rápido em câmera lenta
    velocidade reversa.
    Ainda assim o caminho é o mesmo.

    Quero dar nome: aos azuis que só eu vejo
    azul em fundo escuro
    sonoridade reverberada.

    e cada gota d'água
    que decola rumo aos cosmos.
    cada grão d'areia
    que viaja pelo vento.

    Prismas refletidos em retrô visores
    Papéis de parede da minha mente.

    Caminho mesmo em passo lento
    na velocidade rápida da câmera reversa.
    Por que só assim eu posso ter sempre
    o Ainda.

    quarta-feira, 28 de novembro de 2012

    Já que não podemos apagar certas palavras, certas atitudes que fizemos, da memória nossa ou alheia, nem da linha do tempo de quaisquer vidas, que baste o arrependimento. E que por favor: Que fique o não-dizer pelo que foi dito!

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    Por mais que digamos o contrário, nunca estamos preparados para "o pior". Inversamente, estamos sempre a espreita, sempre prontos para "o melhor", esperando e continuamos a esperar, pois, "o melhor" nunca será o bastante para nós...


    segunda-feira, 29 de outubro de 2012

    Profundeza




    Revolve-se em mim o fogo de um vulcão,
    borbulhando o sangue de rios magníficos
    embrenhados na Terra deserta de um nós:

    terra inabitada terror de solidão,
    mas planeta vivente de cenários priscos.
    Do vulcão até um céu: natureza atroz.

    terça-feira, 23 de outubro de 2012

    Sugar



    À cada boca,

    uma mordida
    na esperança
    ...

    em cada beijo,
    o esquecer
    d’uma promessa
    ...

    em cada foto,
    está a imagem
    d’uma mentira
    ...

    que se repete
    em cada boca
    tão docemente
    em quatro anos.

    quarta-feira, 22 de agosto de 2012


    Espero até o último instante que seja possível esperar para que de repente passe. Mas não passa. Cá estou então. Escrevendo o que não saberia jamais explicar. Embriagado, como sempre, de um sentimento de dor. E a vida já passou diante de meus olhos, pela milésima vez. Olho para fora; alguém vivendo: uma família, uma carreira, ou duas talvez, melhor várias, uma depois da outra... O império. A decadência. O fim chega para todos.
    Os olhos tentam encarar a realidade de uma vida sem Bardot, como eu posso?



    Ela está deitada ao meu lado. Sem poder imaginar, como eu a idolatro neste momento de inconsciência momentânea. A beleza de suas pernas compridas e brancas chega a doer. A respiração pesada exalando álcool é como música francesa ao meu olfato. O sono entorpecido é tão pesado, os olhos dormentes estão tão fechados, que me dão a impressão de que nunca mais se abrirão, e ahhh, como morro de inveja deste momento. Tão alheia a tudo, tão intocável e impenetrável na escuridão dos sonhos mais iluminados, e ainda assim tão imponente. Será que sonha comigo?
    Meus instintos pedem um assalto agora. Que lhe roube beijos, que lhe tire a lingerie que tanto me  irrita e faz para atiçar-me a imaginação. Que a deixe sem nada! Abandonada na mais pura e libertadora pobreza. Sem se quer um brinco. E que lhe roube tudo neste assalto e não exista mais nada para ela, além de mim que lhe tirou tudo. E ela me olha no sonho, e olha para os lados vazios. Eu serei a única coisa para ser olhada.
    É branca a seda que lhe adorna.  Tão suave e macia quanto a pele que reveste. E brilha com a luz fraca do abajur ao lado da cama. Embaixo dele a garrafa da qual libertamos o gênio dos mil prazeres noturnos. Talvez uma última gota de poesia...
    Lençóis em labirinto circulando ao redor dela. A única direção correta. E sigo então, desabando sobre sua carne, e então o corpo inerte queima ao toque. Me afasto. Ela se mexe indolente. Uma perna se despede da outra, como uma amante que soubesse que a vida será melhor estando longe do amado. Eu, terceira pessoa, fiel observador, pra não ser francês demais, aproveito a situação, consolando a perna que ficou. Me aposso de todos os espaços deixados, e subo. Vertigem de tão altos seios. Um terremoto em terras britânicas. E em seu rosto minha viagem desbravadora encontra a mais surpreendente paisagem. Quando seus olhos abriram e encontraram meus soluços me senti tragado para dentro de um abismo circundado por um lago azul, e suas águas, e minhas águas, puderam pairar tranquilamente sob o espírito de Deus.
    De repente tudo não passou de um sonho. Jane Birkin não dorme mais ao meu lado.