Não tenho mais sangue correndo em minhas veias.
Sinto a substância pastosa bege venenosa
In nudando todos meus poros.
Meu corpo agora é cor.Os orgãos falidos, inúteis se foram
em silêncio, quietos conformados rejeitados.
batidas secas lentas de seus passos abandonando.
Meu corpo agora é som.Sou som e posso intuir sem pressentirressentir sempre.
Não sou metade. Sou inteiro. Partícula gigantesca indivisível.
O Amor pulveriza.
Meu corpo agora é luz.
Blog voltado à publicação de poemas, textos, críticas e divulgação de boas idéias.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
Poesia Visual
Passo rápido em câmera lenta
velocidade reversa.
Ainda assim o caminho é o mesmo.
Quero dar nome: aos azuis que só eu vejo
azul em fundo escuro
sonoridade reverberada.
e cada gota d'água
que decola rumo aos cosmos.
cada grão d'areia
que viaja pelo vento.
Prismas refletidos em retrô visores
Papéis de parede da minha mente.
Caminho mesmo em passo lento
na velocidade rápida da câmera reversa.
Por que só assim eu posso ter sempre
o Ainda.
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
Já que não podemos apagar certas palavras, certas atitudes que fizemos, da memória nossa ou alheia, nem da linha do tempo de quaisquer vidas, que baste o arrependimento. E que por favor: Que fique o não-dizer pelo que foi dito!
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Por mais que digamos o contrário, nunca estamos preparados para "o pior". Inversamente, estamos sempre a espreita, sempre prontos para "o melhor", esperando e continuamos a esperar, pois, "o melhor" nunca será o bastante para nós...
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Profundeza
Revolve-se em mim o
fogo de um vulcão,
borbulhando o sangue de
rios magníficos
embrenhados na Terra
deserta de um nós:
terra inabitada terror
de solidão,
mas planeta vivente de
cenários priscos.
Do vulcão até um céu:
natureza atroz.
terça-feira, 23 de outubro de 2012
Sugar
À cada boca,
uma mordida
na esperança
...
em cada beijo,
o esquecer
d’uma promessa
...
em cada foto,
está a imagem
d’uma mentira
...
que se repete
em cada boca
tão docemente
em quatro anos.
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
Espero até o
último instante que seja possível esperar para que de repente passe. Mas não
passa. Cá estou então. Escrevendo o que não saberia jamais explicar. Embriagado,
como sempre, de um sentimento de dor. E a vida já passou diante de meus olhos,
pela milésima vez. Olho para fora; alguém vivendo: uma família, uma carreira,
ou duas talvez, melhor várias, uma depois da outra... O império. A decadência. O fim chega para todos.
Os olhos
tentam encarar a realidade de uma vida sem Bardot, como eu posso?
Ela está
deitada ao meu lado. Sem poder imaginar, como eu a idolatro neste momento de
inconsciência momentânea. A beleza de suas pernas compridas e brancas chega a
doer. A respiração pesada exalando álcool é como música francesa ao meu olfato.
O sono entorpecido é tão pesado, os olhos dormentes estão tão fechados, que me
dão a impressão de que nunca mais se abrirão, e ahhh, como morro de inveja
deste momento. Tão alheia a tudo, tão intocável e impenetrável na escuridão dos
sonhos mais iluminados, e ainda assim tão imponente. Será que sonha comigo?
Meus instintos
pedem um assalto agora. Que lhe roube beijos, que lhe tire a lingerie que tanto
me irrita e faz para atiçar-me a
imaginação. Que a deixe sem nada! Abandonada na mais pura e libertadora
pobreza. Sem se quer um brinco. E que lhe roube tudo neste assalto e não exista
mais nada para ela, além de mim que lhe tirou tudo. E ela me olha no sonho, e
olha para os lados vazios. Eu serei a única coisa para ser olhada.
É branca a seda
que lhe adorna. Tão suave e macia quanto
a pele que reveste. E brilha com a luz fraca do abajur ao lado da cama. Embaixo
dele a garrafa da qual libertamos o gênio dos mil prazeres noturnos. Talvez uma
última gota de poesia...
Lençóis em
labirinto circulando ao redor dela. A única direção correta. E sigo então,
desabando sobre sua carne, e então o corpo inerte queima ao toque. Me afasto. Ela
se mexe indolente. Uma perna se despede da outra, como uma amante que soubesse
que a vida será melhor estando longe do amado. Eu, terceira pessoa, fiel
observador, pra não ser francês demais, aproveito a situação, consolando a
perna que ficou. Me aposso de todos os espaços deixados, e subo. Vertigem de
tão altos seios. Um terremoto em terras britânicas. E em seu rosto minha viagem
desbravadora encontra a mais surpreendente paisagem. Quando seus olhos abriram
e encontraram meus soluços me senti tragado para dentro de um abismo circundado
por um lago azul, e suas águas, e minhas águas, puderam pairar tranquilamente
sob o espírito de Deus.
De repente
tudo não passou de um sonho. Jane Birkin não dorme mais ao meu lado.
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
Já não é meu corpo que se move no escuro
é apenas um autômato, perseguindo
a abstração da idéia que procuro
Eu procuro? Cego, não vejo apenas, sinto
E me guio, tateando. Escuto e sigo.
o equilíbrio abalado dos pés incertos
a vontade de chegar, e saciar-me à vontade
e enfim saciar a vontade, semi-abertos
lábios que ofegam, engolindo o ar
o leve ar da escuridão, a inocente
acolhedora mãe do não-ciente
não preciso de luz pra trabalhar
Já não são meus estes dedos que martelam
os átomos da língua, alucinada mente
exigindo que a mensagem se apresente
estou a serviço... minha deusa me ordena,
do som de sua voz eu faço música
da palavra de sua boca; poesia amena
da forma, das curvas, da silhueta
eu desenho: rios, montanhas,
imprimo uma paisagem perfeita
me movimento na escuridão
me guio pelo som, amor cego
minha ama, me ama
minha musa... Me usa,
Me usa!
sou poeta, maldito, teu Poeta!
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