sexta-feira, 16 de março de 2012

Escreva escravo!


Minha mente é tão doente
de doces males padecen-
Teos ouros, meus tão aúreos
decende deus do verbo
ascende no complacente
amanhã de minha mente
de mentira, indecente

Minha mente é tão doente
culpa decente do peso
do dom do ver Betel
sinto subindo súbita
pois aquele que crê sente
com a luz matinal nascente
sou escravo escrevente

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Projeto Tereza

O poema abaixo postado: Maringá! Maringá! foi postado primeiramente no site  http://projetotereza.com/

Recomendo a todos que visitem o site regularmente, pois tem sido um ótimo veículo de informação e fomentação cultural e artística, com diversas publicações interessantes, nas mais variadas áreas. Sem dúvida, configura-se uma ótima iniciativa na cidade canção, tão carente de gente que valorize a verdadeira arte.



Maringá! Maringá!

I

Não há de ser em vão
o esforço febril deste artesão
do metro vir canção
p'ra poder cantar sua inspiração

Planejo, como tu fostes um dia
sem pretensão, de pompas fugidia
nascida em discreta alegria
planejo cantar sua harmonia

Entre raças, planície da paz
É Maringá! E como tu não Há!
Mestra precoce do país serás.

Discreta parnasiana concreta
sob a sombra segura de suas árvores
cresço feliz, criado em seus parques

 II

Ainda que longe do céu e dos céus
obstinada vence Maringá!
vemos por ela o porvir sem véus
brilha a estrela que norteia o Paraná!

E toda a gente, que segue esse brilho
segue contente, e grita o estribilho:
É Maringá! E como tu não há!
É Maringá! E como tu não há! 

Ah! E a gente que é este povo
É tão formosa e de bela forma,
filha do Sol e do centro mundo, novo

rosto nascido que agrada à gosto
gente maringaense, Cidade Maringá
permita-me cantar: que como tu não há!

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Epílogo




Eu sei, sei que você já não quer mais, sei que você não ama mais, nem tão pouco nutre qualquer sentimento que seja bom por e para mim. Sei também que preferias não ler isto, preferias não saber, preferias não... Quantas negações em tão curto tempo, neste espaço branco. O branco em que autores escrevem suas obras e nós escrevemos nossa história. O branco que por vezes representou a paz, ou o branco que nos traz o esquecimento. O esquecimento que por vezes é tão maligno, mas que ainda assim tem sua recomendação médica. Um médico que cura a dor, daquilo que é a maior ocorrência da vida humana e o humano que se difere do animal, por sentir esta dor. O sentir não compreende nada. E nada é o que tenho agora. E por acaso já não tenho agora.  Pois meu tempo se passou com você.
E o computador segue assim, tentando tirar algum proveito disso, seguindo seu papel de narr-a-dor,  aliment-a-dor, registr-a-dor e quiçá! Salv-a-dor!!
A hora é de pranto, de espanto, de esperanto, e de pranto. Eu não tenho agora, mas tenho ainda esta hora, a ser vivida, por mais sofrível (que ainda é nossa). É o pouco que resta de nós dois. Me apegarei a ela, como se fosse aquele pedaço de mim que faz tanta falta (aquele que está contigo).  Me apagarei, até que deste eu não haja mais traços. Realizando assim seu último desejo. Pois só assim... Só assim poderás ter a certeza de nunca mais me ver diante de ti. 
Não tenho pena de mim mesmo por você ter pena de mim. Não há nada do quê se envergonhar em amar, lutar, lutar, lutar, lutar, lutar, lutar, e não chegar.  Uma tragédia não respeita nem mesmo um céu de baunilha. Não há por que esconder o rosto marcado de cicatrizes. Cada marca, uma batalha. Cada batalha uma paixão e a cada paixão um morrer. Pois a paixão é entrega, e a entrega rendição,  e a rendição é a morte.
Este é um adeus.
À Deus que está nas alturas se roga, que ampare os caídos em batalha. À Deus eu rogo...
- Me segure em seus braços não me solte nunca mais eu te amo

sexta-feira, 25 de novembro de 2011


Descrição da dor pela personagem Damien Campos criada por Damien Campos.



A dor me dilacera. De dentro para fora. Tanto, que posso até, ao me olhar no espelho, ver suas garras negras, saltando da pele e reluzindo com a luz. Como uma mãe sente e vê seu filho a chutar sua barriga, eu vejo o monstro horroroso, desenhando formas enquanto arranha as minhas carnes. Não o ouço, nem tão pouco sei por que está aqui, sei apenas que quer sair, de uma forma desesperada. E me odeia, com toda a força de seu ser, pois nasceu apenas para isso, odiar-me.
Dizem que Deus existe, pois bem, se existe, apenas ele vê a dor que encarcero. Em meus momentos íntimos ou nas situações sociais, a sinto, e Deus vê,  nas minhas orações, ou em minhas canções, Deus vê o monstro cruel aparecendo de mim. Deus vê, e não faz nada.
Se ele não existe, bem, então estou sozinho com minha dor, na completa solidão, sem contar com qualquer cumplicidade ou compaixão.

Se ele não existe, não sei também porque eu existo, ou porque a dor existe, ou porque você existe. Acostumei-me a pensar a causa de tudo como Deus. Boa ou má, tudo proviria dele e tudo teria um porquê.  Será que penso direito, com tamanha dor dentro de mim? Ou mesmo ela remoendo minhas entranhas, não interfere na faculdade intelectual.
Não sei, de fato, não sei. Só sei que sinto, meu saber é sentir, e sinto a dor, acabando comigo. E não posso gritar. Não há quem me socorra.
Antes mil vezes uma enfermidade física, plausível, com diagnóstico médico. Assim, ninguém me censuraria em gritar desmedidamente e furiosamente, pois qual coitado, todos veriam e entenderiam o mal de que padeço.
Mas não, por fora nenhum defeito. Deus me fez perfeito.
Portanto, silêncio, do monstro e de sua vítima.
Nem uma palavra. Vamos conviver belicamente, odiando-se mutuamente, mas sem nunca expressar palavra. Eu e a dor. Até a morte.

sábado, 29 de outubro de 2011

O Beija-Flor

Um Conto.





Por volta das 09:59 da manhã de um dia qualquer, estava eu sentado à mesa de um restaurante universitário de uma cidade qualquer, fazendo o desjejum antes de seguir para o trabalho. Enquanto beliscava o pão-francês (um tanto ressecado), e beijava o copo de pingado, percebi o vôo desnorteado de um pequeno pássaro que voava rente as grandes janelas.
Nas extensas mesas brancas tagarelavam estudantes de todos os cursos. Nem um deles se quer chamou minha atenção. Na minha mesa (talvez a mais vazia), somente eu e uma menina de óculos sentada de frente comigo e ligeiramente à minha direita. O silêncio era só meu.
— Tic.
Bateu o bico do beija-flor na janela. Percebi então o drama da pequena criatura. Que desesperadamente lograva a natureza pulsando lá fora.
— Tic.
A janela preferida de suas tentativas, estava a mais ou menos 10 metros de distancia de meu ponto de observação. Em seu desespero, não se impedia de tentar passar por outras janelas, ora mais próximas, ora mais distantes de mim.
Algumas vezes mesmo passou por sobre minha cabeça e foi para o meio do salão, a fim de refrescar as idéias e quem sabe, enxergar a saída. Como quando estamos muito perto de uma coisa e não vemos, mas se nos distanciarmos ampliando a visão poderemos enxergar.
Naquele céu de teto branco, não havia nuvens, ou astros brilhantes que pudessem inspirar o espírito. Só havia ele, uma mancha preta perseverante, lutando para voltar ao seu lugar. Ansiando pelo toque macio, o gosto e o cheiro suave das flores que iria beijar. Seu esforço era notável, para mim...
Naquele ambiente espaçoso e cheio de pessoas, eu era o único a fixar minha atenção no bichinho. Um ou outro olhar lhe era dado quando em suas indas e vindas passava sobre a cabeça de alguém.Talvez lhe olhassem com receio de que pudesse cair sobre seus copos ou sei lá o quê. Eu mesmo senti este medo, temendo que de tanta exaustão ele simplesmente se estatelasse sobre minha mesa, morto, sem forças, arfante, derrotado.
Isso não aconteceu. Tudo indicava que seu destino estava longe de chegar. Pensei por vezes: Não haveria modo de ajudá-lo?
Não.
Continuou se batendo, incessantemente, freneticamente. Insistiu em vão.
Refleti então sobre a condição dos homens. Quantas vezes nos batemos com a mesma janela fechada, quando logo ao lado existe uma janela escancarada com a saída para o azul do dia?
— Tic.
Em seguida, apareceu outro beija-flor, porém do lado de fora desta vez. Cada vez mais alienado do mundo, para mim, a situação tomava ares de romance.
Terminei um pão e levantei para pegar mais pingado.
Como sempre, atentei para a medida certa de leite e café, de acordo com a cor que deveria sempre ser o meio termo, porém com tendência mais ao café que para o leite. Passei pela fila do leite. Oh! Errei a medida. Voltei. Um rapaz me cedeu passagem. Corrigi. Logo vinha o açúcar, negligentemente, eu forrava o fundo do copo.
Quando de volta a minha bandeja, nada havia mudado, o beija-flor continuava lá, trançando no ar, as mesmas rotas. Ele olhava com ar de tristeza para a grande janela sem entender o porquê de não passar para o outro lado. Lá estavam os outros beija-flores, que voavam e podiam existir. Ele via. Outros pássaros também passavam, mostrando que aquele era definitivamente o lugar de onde havia vindo. Determinado, prosseguiu buscando sua liberdade.
O vidro polido era pra ele, tal como uma barreira divina, à quem alguns mortais se impõem. Sem enxergá-la, sabem de sua existência, mas não sabem como e porquê ela está ali.
— Tac!
Bateu o bico do beija-flor, com força na janela. Havia sinais de irritação. Apenas alguns centímetros mais abaixo, mais ao lado... ele teria conseguido. Teria superado o obstáculo sobrenatural, invisível, real. Meu tempo acabou. Era hora de começar meu dia de trabalho.
Fora do refeitório, no caminho, pensei se por algum momento o beija-flor, em todo o tempo que fracassou, sentiu medo, medo de morrer preso, num lugar estranho e hostil. Pensei também qual infortúnio, triste coincidência ou ironia do destino, teria levado aquela pequena criatura a tal situação.

Ainda hoje, desejo muito saber se ele conseguiu escapar, ou se está lá até agora.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Verde e Amarelo



Já não tenho mais brilho em meus olhos
Lágrimas demais, opacos a torná-los
e o verde agora é resignação!
— Se já era difícil enxergar...

Quisera eu que infinitivos bastassem
De belo e eterno somente os sonhos
Medonhos, meu poeta, são os dias reais!
— Se é tão difícil sonhar...

Pequenas coisas diriam os bons,
que a mim nunca foram.
Havemos de amarelar o presente
— O presente que se há de embrulhar...

Se todo o nada é infinito
o que dizer de tudo que é restrito
ao ato de viver e beijamar?
— De vida meu todo entregar...

Se a passagem se faz no passo
a passo curto como posso?
Um dia ainda seus lábios...
Amém. Amar é lar.
— Meu ar é você me amar.